sábado, 21 de dezembro de 2013

O bobo

Eu  sempre achei os bobos uns tolos.
Me achava muito mais esperto
que eles só porque disfarçava
Minha bobice.

Acontece que disfarçar
Me fez tão bobo que me afastei de mim
Sou tão bobo e tolo
Como todos

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

aprendendo a só ser

no fim do horizonte
onde eu acho que vejo
nada há.

sou só um pedaçinho
dessa imensidão.
essa grandeza me amolece
o peito e nascem
lágrimas nos meus olhos.

é tudo tão vasto..
tem dias que me assusto,
mas como pode algo me acontecer?
a terra me trouxe aqui e tudo me dá.

me floresce uma humildade:
sou só um partícula infima
desse infinito.

este sentimento me coloca em mim,
afinal, eu só podia estar aqui.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Concreto

Armado?
Cimentado?
Quanto tempo não levei até me tornar
Simplesmente concreto.

Tantas idas e vindas de ar.
Um dia graças a Deus
O corpo pesa no chão
Concreto.

Talvez  eu sempre estivesse
Aqui.
Só que só agora eu me concebi
Aqui.

Ficando vou me fazendo
Lugar.
Fazenda:Refazenda.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Isso ou aquilo?

Se tudo fosse
Eu seria aquilo.
Só que como
Tudo é; sou isso.

Mas isso
Não pode ser aquilo!
O que sobrou daquilo?!
É, sou só isso
Mesmo querendo ser aquilo.

Mas sabe, pode ser que
Eu sempre fosse isso.
Talvez eu só me pensasse
Como aquilo.

Isso também pode ser:
Tudo isso!
Eu me via naquilo
Mas sou isso!

Você faz com que
o que eu pensava
que era ali seja aqui.
Vou dissolvendo aquilo nisso
(Ainda bem)

domingo, 20 de outubro de 2013

Nascer

Se fôssemos
Seríamos.
Só somos:somou.

A delicadeza dessa sutil
Sensação me traz vontade de viver.
Estamos sendo.

Sinto me completamente vulnerável e vou
me nascendo.
Frágil como um bebê vêm a vida até mim.
(eu que sempre me achei no controle)

A serenidade que esse céu de azul infinito
me vem suave como as ondas
do mar a barulhar no firmamento.

A lua é minha confidente:ilumina
o caminho.
Vou me aproximando do início mais uma vez.
Eterno Retorno de mim me sendo novo.

Como as ondas vou e volto
E continuo ali na eternidade do segundo.
O desconhecido brota em mim
(Ainda bem)


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

morrer

nos dias duros
de passagem dos tempos
vou me executando:
gerenciamento do tempo

e quando vejo não sei de mais nada:
dois meninos cegos se ajudando
a caminhar num corredor.
choro sem sabern o porquê.
(pra que saber?)

inventei minha solidão
apegado numa utopia infantil
de felicidade.
(nunca deixei de ser aquela mesma criança)

o entardecer dessas infantilidades
me floresce mais uma vez:
a vida é tão rara..

morri de pensamento.

sábado, 28 de setembro de 2013

Deus

ai eu percebo que eu só posso ser parte de deus
pq se nem eu sei exatamente quem sou
é porque também estou em deus.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

virtual

te digo
te desdigo
queria tanto te dizer
aquilo
mas saiu isso:
terminar bem.

o silêncio cala
o que não quero sentir:
devir do sem fim.

só te digo que não queria
que fosse isso assim.
o imaginário do virtual
feliz ainda me sangra.

do sangue resolvi fazer um poema:
"as coisas findas muitos mais que lindas,
essas ficarão."

quem sabe um dia
digo, assim, sem querer
e de repente:felicidade!
quem sabe..

por um instante.
por um segundo
que seja.
e passa, como tudo.
só eu não passo.

nunca tivemos nada mesmo.
(a vida como uma xícara de chá
e a borra no fundo.)
http://www.youtube.com/watch?v=SpkI2JNwFCs

terça-feira, 20 de agosto de 2013

biblioteca

enquanto eu estou aqui
tentando escrever uma monografia
estudar para um concurso
ou até mesmo escrever um ante
projeto de dissertação

o vento venta
a chuva chove
o sol brilha.

pra quê tanta inutilidade na
vida de uma pessoa se a vida
se transcorre lá fora?
a vida não está nos corredores
de uma biblioteca!

(não posso perder mais tempo,
melhor voltar a trabalho.)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

dramas de um virginiano

raiva de mim
que vira você.

queria perfeição
e no meu mundo
ideal você era tudo
que eu queria.

mas pobre de mim
o mundo não é como
quero.
cheio de erros.

os erros são como
feridas pra mim.
não me aceito neles.
e ai custam a sarar.

me obrigo a continuar seguindo
preciso me vingar de você:
ninguém pode me fazer de otário.

é, eu sou um bobo sensível
mesmo contra minha vontade.
ninguém escolhe nascer sensível.
(ainda bem)

http://mamapalavra.blogspot.com.br/2012/10/a-voz-de-meu-pai.html

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

não amo ninguém

"Se todo alguém que ama
Ama pra ser correspondido
Se todo alguém que eu amo
É como amar a lua inacessível
É que eu não amo ninguém
Não amo ninguém
Eu não amo ninguém, parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor que eu respiro"

https://soundcloud.com/projetoagenor/09-n-o-amo-ningu-m-letuce

"O amor é coisa boa pra se viver a dois
Triste é quando um lado quer deixar pra depois
Sem saber que quando a saudade apertar
Vai ser muito tarde pra encontrar seu lugar
Eu espero que entenda essa lição
Pra não ter que se afundar nesse refrão
Vem pra cá e faz a vida melhorar
Ah, não deixa esse trem descarrilhar"

http://letras.mus.br/silva/amor-pra-depois/

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

(des)conhecidos

te vejo no metrô:
tão linda!
(nem parece que há alguns
anos estávamos juntos)

não, isso não é possível!
agora ela é outra pessoa.
eu também, talvez.

nos apaixonamos mais uma vez.
quantas vezes vamos nos reencontrar?
quantas vezes nos apaixonar?
o acaso é o destino.
"mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho"

segunda-feira, 29 de julho de 2013

o pouco que sobrou

o som não toca
a estética não pega:
desafinamos

se é que fomos afinados algum dia..
nalgum lugar dentro de mim
ainda não aceito o que senti.
(sinto vergonha)

o amor pode ficar tão banal..
o que sobra no final?
indiferença ou repulsa?
não, é só pena.
(o pior dos sentimentos)

achei que tudo acabasse
por si e só.
o mundo dos adultos é mais
complicado do que eu imaginava.
(as coisas se adiam)

para que não sejas nem boa
nem ruim te esqueço.
vou apagando até não restar
memória, é o melhor que posso
fazer.

O pouco que sobrou-Los Hermanos

"Canta e distrai-te, Zaratustra; cura a tua alma com
cantos novos, para poderes sustentar o teu grande
destino, que ainda não foi destino de ninguém.
Que os teus animais bem sabem quem és, Zaratustra, e o
que deves chegar a ser: tu és o mestre do eterno regresso das coisas:
é este agora o teu destino!
Que tu hás de ser o primeiro a ensinar esta doutrina:como não há
de ser esse grande destino também o teu maior perigo e a tua
enfermidade?!"

Despedida-Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças
Medo de Amar

terça-feira, 23 de julho de 2013

mal secreto

a tal da felicidade
é uma prisioneira
ou uma libertação?

me esvazio:
exorcizo meu fantasmas
admitindo minha fraqueza
diante deles.

quando jorro minha fraqueza
pro mundo é como se a pressão
que havia no peito se dissolvesse:
posso ser.

de tão perto de alcançá-los
tinha ficado distante de mim.
refoco o foco:
a dor tem nome, rg e cpf!

e agora, parece que não importa mais
porque só a dor escondida doí.

assumindo minha dor
me aproprio mais uma vez
de mim.
a auto piedade é para aqueles
que têm medo de si
(é acobertar-se no medo de sofrer,porque tu já sofres demais.)


sábado, 20 de julho de 2013

nada quase tudo

Estou só.
Estou simples.

Caguei meus sonhos.
ficou um vazio na minha
barriga.

Ontem a noite
quis comer pra ficar pesado
de novo.

mas no meio percebi que
com todo alguém
com quem estivesse
estaria
sozinho.

Amar é oferecer minha solidão
para um outro alguém:
tudo que eu tenho

Parece pouco,mas é muito.

O neutro sopra nos meus ouvidos
como o vento.
(plenitude é sentir nada)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

pássaro proibido

piuiiiiiii
clarão:atravessei o túnel.
fim de linha.

o trem do destino
ficou pra trás.
eu sou o acaso.

do nada a que me entrego
percebo:vergonha.

dou mais do que posso
e me sinto ridículo.

ninguém vai me dar
o (im) possível.
a realidade é a liberdade.

estou pronto pra voar:
o destino se liquefez.
só fiz o meu papel e
como uma folha ele se
desdobrou e
voou.

eternamente vou prenunciar
as mesmas coisas
e vivê-las até que
eu as aceite em mim.
eu sou mim.
amém.


http://www.youtube.com/watch?v=shXO4HEpCco


domingo, 14 de julho de 2013

amigo do tempo

eu sou meu
tempo.

o mundo não vai acabar:
o infinito está aqui dentro.
generosidade contida em cada
pedaço único da criação.

me perco nos lados
perco o foco:já virou passado.

Passado:tudo que passa.
Presente:tudo que é
Futuro:?

de todos os acasos que me formaram
o tempo os ligou
numa linha cronológica: mim

de mim não sobrou nada
porque o agora também é acaso.
aleatoriamente definido
por tudo quanto é:nada.

http://www.youtube.com/watch?v=DpSBYWaPxAs







sexta-feira, 12 de julho de 2013

voando como um super homem

a leveza está sempre
aqui.
fragilidade faz leve

por isso o pior sofrimento
é o medo dele:
sob ele tudo pesa

"o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira"

segunda-feira, 8 de julho de 2013

o enamorado

O enamorado da vida
Eu sou um enamorado da Vida!
Para sentir melhor o céu na minha casa,
Plantei a minha casa entre o mar e a montanha.
Se as ondas vêm rugir a meus pés, a horas mortas,
A lua desce a mim numa carícia estranha.
Bebo as estrelas de mais perto. . . Abraço
Todo o corpo do céu num simples movimento.
E, quando chove, sinto a torrente das chuvas
Trazendo da montanha, em seu penacho de águas,
Frondes, ninhos, calhaus e pássaros ao vento.
Eu sou um enamorado da Vida!
Amo-a por tudo quanto ela me pode dar:
A água fresca da fonte, a carícia da sombra,
E até a calma silenciosa e mansa
Desse crepúsculo que baixa devagar.
Em cada mão de folha a minha boca bebe
O orvalho da manhã como um suave licor.
E abro os pulmões, sorvendo em tudo o que me envolve
Essa onda de volúpia e de êxtase e perfume
Que vem do amor e que me leva para o amor
Eu sou um enamorado da Vida!
Tenho ímpetos de voar, de galgar, de vencer
Colinas, penetrar o coração dos vales,
Relinchando feliz como um potro selvagem
Que solta as crinas no ar para melhor correr;
Ou retesar as asas brancas de gaivota
E atirar-me na fúria incrível das procelas;
Beber em haustos toda a glória do mar alto,
Rolar no bojo dos batéis desarvorados
Ou as asas enxugar no alvo lenço das velas
Vida! Quero viver todas as tuas horas,
As que prendi na mão e as que nunca alcancei.
Ser um pouco de ti no espelho das paisagens
Para, quando morrer, levar dentro dos olhos
A beleza imortal de tudo quanto amei.
                                                                    Olegário Mariano
Do livro:" O enamorado da vida", 1937


Lembrem que acabamos de sair da Primeira Transformação. A esta altura nossos sonhos transformaram-se em realidade. Mesmo com a influência do Sumo Sacerdote, geralmente nos sentimos os reis do mundo, e com razão: conseguimos dar vida ao nosso sonho! Ele é realidade! A nossa empresa, livro, carreira, a nossa Lenda Pessoal, está funcionando! O que pode sair mal?

Tudo bem, então, como podemos saber se estamos tomando uma decisão nossa ou se estamos obedecendo a um imperativo familiar ou social? Neste caso, a honestidade conosco é fundamental. Como já vivi esta carta diversas vezes, terminei descobrindo uma diferença enorme entre dois comportamentos aparentemente iguais. Você vai tomar uma decisão: você avalia todos os elementos friamente e então toma a decisão ou você já está decidido e busca elementos que justifiquem sua decisão? A diferença é fundamental!









http://www.tarotdatransformacao.com.br/2009/10/o-enamorado-terrivel-escolha-chegamos.html

sexta-feira, 5 de julho de 2013

todo fim tem um pouco de começo

todo dia me reviro
viro do avesso
Sou sozinho.
não acredito mais
que vou ser tudo

sou cheio de vazios:
colcha de retalhos
me costuro todos
os dias.
Vivo
revivo a vida
pelo contrário.

Me contrariando
acabo sendo.
Vou vivendo, afinal,
a vida é vivida!

Nem me dou
por mim mais.
As vezes me escapole
uma interjeição:
Ah, estou sendo!

Mas isso não é coisa
de todo dia.
A gente vive disfarçado
nessa vida:festa à fantasia (?)

quem sabe se o tempo não existir
eu viro alguma coisa?
(eu invento o tempo?)

"Porquanto,
Como conhecer as coisas senão sendo-as?
Abrigo minhas musas, amam sobre.
Aflijo-me por elas, sofro nelas,
Encarno-me em poesia, morro em cruz,
Cravo-me, ressucito-me. Petrus sum.
Sou Ele mas traindo-o, mas em burro,
com esses cascos na terra, e ventas no ar,
cheirando Flora; minhas quatro patro patas
rimam iguais, forradas, alforriadas,
burro de Ramos, levo o dorso
Alguém em flor, Alguém em dor, Alguém."
Jorge de Lima

http://colorindopaginas.blogspot.com.br/2013/02/canto-vii-audicao-de-orfeu-poema-xiv.html

quinta-feira, 4 de julho de 2013

paixão segundo g.h.

"Pois preciso saber exatamente isto: estou sentindo o que estou sentindo, ou estou sentindo o que eu queria sentir? ou estou sentindo o que precisaria sentir? Porque não quero mais sequer a concretização de um ideal, quero é ser apenas uma semente. Mesmo que depois, dessa semente, nasçam de novo os ideais, ou os verdadeiros, que são um nascimento de caminho, ou os falsos, que são os acréscimos. Estaria eu sentindo o que desejaria sentir? Pois a diferença de um milímetro é enorme, e este espaço de um milímetro pode me salvar pela verdade ou de novo me fazer perder tudo o que vi. É perigoso. Os homens elogiam muito o que sentem. O que é tão perigoso como execrar o que se sente."

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/clarice-lispector/a-paixao-segundo-g-h-5.php

segunda-feira, 24 de junho de 2013

se a gente não mata o tempo, o tempo mata a gente.

se a gente não mata o tempo, o tempo mata a gente.

http://www.youtube.com/watch?v=fXvz4bkQRZI

ponto de fuga

no horizonte
tem uma ponte

o eterno quase
entre céu e mar:
ponto de fuga.

ponto de se dispersar
integrado.

união dos impossíveis
possíveis.

onde toda fuga é compreensão

Pra onde sempre fugimos
juntos:lugar comum

onde a gente já é
porque sempre foi.
fugitivos cúmplices.

amor ungido
na dor de sermos nós.
amor fudido que nos transborda
sem nos darmos conta.
amor que nos faz nós.

te amo até na minha
vergonha.
te amo até no meu medo.
te amo até no meu nojo.

"nothing which we are to perceive in this world equals the power of your intense fragility:whose texture compels me with the colour of its countries, rendering death and forever with each breathing (i do not know what it is about you that closes and opens;only something in me understands the voice of your eyes is deeper than all roses)"
nothing which we are to perceive in this world equals the power of your intense fragility:whose texture compels me with the color of its countries, rendering death and forever with each breathing (i do not know what it is about you that closes and opens;only something in me understands the voice of your eyes is deeper than all roses) - See more at: http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15401#sthash.IQRvgwWy.dpuf
nothing which we are to perceive in this world equals the power of your intense fragility:whose texture compels me with the color of its countries, rendering death and forever with each breathing (i do not know what it is about you that closes and opens;only something in me understands the voice of your eyes is deeper than all roses) - See more at: http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15401#sthash.IQRvgwWy.dpuf

quinta-feira, 20 de junho de 2013

agina pectoria e se eu fosse eu

Só que dessa não se morre. Mas tudo, menos a angústia, não? Quando o mal vem, o peito se torna estreito, e aquele reconhecível cheiro de poeira molhada naquela coisa que antes se chamava alma e agora não é chamada nada. E a falta de esperança na esperança. E conformar-se sem se resignar. Não se confessar a si próprio porque nem se tem mais o quê. Ou se tem e não se pode porque as palavras não viriam. Não ser o que realmente se é, e não se sabe o que realmente se é, só se sabe que não se está sendo. E então vem o desamparo de se estar vivo. Estou falando da angústia mesmo, do mal. Porque alguma angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai.
http://www.youtube.com/watch?v=g6HxJLopZ7Q

quarta-feira, 19 de junho de 2013

conhece-te a ti mesmo



Não sejamos ingênuos, meus caros. A rede Globo muda de opinião? Porque? Nada disso acontece por acaso. No momento em que o PT ganha a eleição e os velhos neoliberais patrimonialistas ganham o título de oposição. Só se fala no mensalão do PT,  mas e o do PSDB que movimentou muito mais?! Quem está articulando esse “movimento contra a corrupção” apartidário?  Para organizar esse debate precisamos ter muito claros os dados recentes. O país tem, de fato, vivido uma certa prosperidade com melhoria na distribuição da renda. Só que como os grandes eventos que estão ocorrendo implicam em um forte movimento especulativo isso faz com que os detentores da propriedade ganhem exorbitantemente mais que os trabalhadores, dissipando a possibilidade de uma maior igualdade social que essa melhoria na distribuição de renda estaria proporcionando. O governo do PT tem muitos defeitos, mas ele, pelo menos, está tocando em feridas que antes nem eram vistas, por isso tem sido tão fácil para a mídia polemizar suas ações. No entanto, apesar disso tudo, foi num governo do PT que surgiu a proposta da Tarifa Zero. E quais foram os argumentos contrários? Se for de graça, só vai ter baderneiro, bêbados e mendigos andando nos ônibus. Porque todo mundo sabe que é muito melhor andar de carro, com seu ar condicionado.. Porque as cidades brasileiras foram construídas para o carro?

Quem tem tanto medo do “bicho papão” da inflação? A classe média que sempre suportou o PSDB no poder. Os velhos jargões estão voltando. Quem odeia tanto gastos com seguridade social?  Quem NÃO é contra corrupção? Se isso é um fato, porque virou uma bandeira apartidária (?). Somos marionetes ou cidadãos?! Vivemos um momento muito singular na nossa história e não podemos perder essa oportunidade única sendo ingênuos. Se permitirmos que a nossa pauta seja esvaziada, transformando o nosso movimento num movimento contra a corrupção, quem vai fazer justiça? "A corrupção, o paraíso é o Judiciário. Todo mundo diz: 'Na hora que for para Justiça vai resolver'. Vai levar 20 anos."[1]  Os bandidos de toga? Formalmente, destituir um governante é muito mais fácil do que tirar um juiz de um tribunal. O poder não está num governante, ele é o sistema. Assim, como é mais fácil protestar graças às redes sociais também é mais fácil controlar graças às mesmas tecnologias. A nossa única arma é o bom e velho materialismo, só ele é capaz de nos unir. Temos que ter uma pauta direcionada e sermos determinados sem ser ingênuos para que os velhos asseclas não se aproveitem de nós para retomar o espaço perdido. Precisamos separar o joio do trigo. A sede por revolta em si pode nos engolir. Temos muitas respostas e poucas perguntas.

Tudo parece estar muito claro porque ninguém está se fazendo perguntas primordiais. Portanto, é oportuno nos lembrar do princípio ético para Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo.”


[1]  Entrevista de Geraldo Alckimin a Folha de S. Paulo. (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/05/1275598-faltaria-guilhotina-se-o-povo-soubesse-o-que-se-passa-diz-alckmin.shtml)

formiga

quando acordo
os sentimentos de ontem
se foram.

até me estranho
e me envergonho do meu eu
de ontem.

hoje acordei nada
e vou ficando conforme
o dia passa.

só queria fazer tudo bem
com todo mundo.
mas não dá mais..

ai me vem uma dor aguda
de formiga.
sou tão pequeno que
não posso fazer nada ficar bem
nem eu.


terça-feira, 18 de junho de 2013

alguma coisa

Todo dia me reviro
viro do avesso.
sou sozinho.
não acredito mais
que vou ser tudo.

sou cheio de vazios:
colcha de retalhos.
Me costuro todos
os dias.
Revivo a vida
pelo contrário.

Me contrariando
acabo sendo
Vou vivendo afinal,
a vida é vivida.

Nem me dou por mim
mais.
As vezes eu me escapulo
numa interjeição:
ah, estou sendo!

mas isso não é
coisa de todo dia.
a gente vive disfarçado
nessa vida:festa à fantasia

quem sabe se o tempo
não existir eu viro alguma
coisa?
(eu invento o tempo)



dias brancos

o meu amor
não me liga
pra saber se estou
bêbado.

o meu amor constrói
uma muralha em volta de si.
mas tudo bem, eu faço o mesmo
pelo contrário.
sou todo mundo:ninguém.

o meu amor é mais
macho que eu
e também mais
mulher que eu.
tem dias que essa
sua indiferença me faz
pensar que não te amo.

mas o que resiste persiste.
(in)felizmente amor não é
uma escolha.
está doendo te amar.

quanto estou contigo
te amo com unhas e dentes
mas ai depois
vem os dias brancos..
(falta você para colori-los)

não quero também que você
leia este poema.
não quero nem
que você seja o meu amor:
quero amor.

animal de quatro letras:
bicho de sete cabeças.


domingo, 16 de junho de 2013

amor à prova

sempre acreditei amar fulana
acreditei tanto que a amei.

um dia ela veio até mim
como pedia em minha prece.
mas que tem ela?
e se eu não conhecesse fulana?

ela pode ser só uma etapa passageira.
porque viver um amor de limites?
pra quê? pra quem?

sabe, não sei mais se amo
fulana.

ta muito distante pra ser amor.
não consigo sentir seu calor.
ora, ou tu me tocas ou não
me tocas.

quem sabe é isso que ela quer?
ah, vá catar coquinho!


segunda-feira, 10 de junho de 2013

eterno retorno

"Dirias, e sem tremer, ao contrário, respirando aliviado e feliz, pois um grande e sufocante peso seria tirado de ti, ó mais paciente dos homens pacientes:-"Agora eu morro e me extingo'-dirias 'e, num relance, não serei mais nada.' As almas são tão mortais quanto os corpos. Mas o encadeamento de causas em que sou tragado retornará - e tornará a criar-me! Eu mesmo pertenço as causas do eterno retorno!"

domingo, 9 de junho de 2013

amor pra depois

porque ela?
porque seu nome sempre
vem a minha cabeça?
porque confundo quem estou
com ela?

ela é uma fuga.(?)
ela é um ideal.
ela é uma memória.
ela passou.

choro menino e
todo me despedaço.
eu vivo, mas ela não
sai de mim!
diacho.

talvez seja assim..
sempre foi assim.
difícil de entender.

mas eu sei que ela me
ignora porque é como eu.
um amor desses pode mexer
demais.

então, a gente vai deixando pra depois
(acordo tácito)
quem sabe amanhã,
quem sabe ano que vem,
quem sabe na próxima encarnação.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

buraco extensível

não somos daqui:
é muito vasto

te pego pela mão
não se preocupe
te explico no caminho

vou te levar
nos meus lugares secretos

nem eu sei onde eles estão
ele só existem nos meus
sonhos.

não é uma escolha
te levar ou não.
é uma chaga.

é como se você já fizesse
parte deles mesmo
nunca tendo estado neles.

eu não escolhi me entregar
eu já me entreguei sem perceber
não sei porque:
podem ser suas mãos macias
ou o seu olhar doce..

há um buraco negro
dentro de mim quando caio nele
parece que estou dentro de você:
buraco extensível

fico sem entender
e me dá medo

domingo, 26 de maio de 2013

amores surdos

danço pra me confundir
os rostos estão todos
maqueados

liberdade: é viver solto
por ai.
não vou me prender a ninguém,
meu amor é universal
vem, vai.

não tem nome
identidade
cpg
ou rg.
ele existe e só isso.

livre é aquele
que nem se sabe livre.
ninguém encontra
liberdade buscando
liberdade.

essa liberta-dor
essa indiferença gaia
esse jogo
essa falta de honestidade
me enjoou.

até quando vou continuar sem-vivendo?
liberdade é ser amado e amar.
liberdade é sentir e deixar vir
liberdade não tem nome.

sábado, 18 de maio de 2013

amor neutro

você me olha
me pedindo pra que
eu te veja.

mas eu não vejo nada.
me entregar não é
uma escolha.

meu coração
foi parar nas suas
mãos por acaso:
nada disso faz sentido
algum.

a vida é vivida meu amor.




"Amor neutro. O neutro soprava. Eu estava atingindo o que havia procurado a vida toda: aquilo que é a identidade mais última e que eu havia chamado de inexpressivo. Fora isso o que sempre estivera nos meus olhos no retrato: uma alegria inexpressiva, um prazer que não sabe que é prazer – um prazer delicado demais para minha grosssa humanidade que sempre fora feita de conceitos grossos.- Fiz tal esforço em me falar de um inferno que não tem palavras. Agora como falarei de um amor que não tem se não aquilo que sente, e diante do qual a palavra "amor"é um objeto empoeirado?O inferno pelo qual eu passara – como te dizer? – fora o inferno que vem do amor. Ah, as pessoas põem a idéia de pecado em sexo. Mas como é inocente e infantil esse pecado. O inferno mesmo é o do amor. Amor é a experiência de um perigo de pecado maior – é a experiência da lama e da degradação e da alegria pior. Sexo é o susto de uma criança. Mas como falarei para mim mesma do amor que eu agora sabia?É no neutro do amor que está uma alegria contínua,como um barulho de folhas ao vento.E eu cabia na nudez neutra da mulher na parede.O que é Deus estava mais no barulho neutro das folhas ao vento que na minha prece humana.Então vê, meu amor, a verdade não pode ser má.A verdade é o que é.Eu estava habituada somente a transcender.Esperança pra mim era adiamento. Eu nunca havia deixado minha alma livre.E descobri que não é necessário sequer ter esperança.Porque as coisas são o que são.Basta saber isso.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eterno Retorno

as luzes estão acesas
você me olha
como se não me olhasse

vamos andando pela rua
eu não sei para onde estamos
indo.

é como se eu estivesse sendo
inspecionado. Cada milímetro
do meu corpo está sendo dissecado.

eu queria  só estar ali
mas se você não está ai
eu também não posso
estar.

não tenho pressa.
tudo está onde deveria estar
por mais doido que isso pareça:
Eterno Retorno.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

do ser o que se é

tudo pesa
tudo dói em algum lugar
o passo está pesado:andar arrastado

as velhas acusações
ainda me machucam.
não vou mais fugir
mas está difícil
conviver.

dói ser eu
dói pensar sobre mim
a dor é saber que eu vejo demais

fico tão carente
e ai percebo que ninguém
vai me dar respostas

vou semi vivendo
há dias felizes.
mas parece existir
uma distância intransponível
entre o meu eu e o que vejo.

foram anos fugindo
dessa dor.
e hoje ela me racha o peito.
mas eu vou sobreviver.




sábado, 11 de maio de 2013

dia de faxina

abro as gavetas
recolho os ingressos
os shows,
os lugares
as pessoas..

ontem tudo parecia arrumado.
mas hoje acordei com tudo revirado:
tudo fora do lugar.

cada música é um momento
alguém que passou
e sou essa coisa confusa
que viveu esses momentos

o que fica?
o que vai pra parede?
o que guardo no peito?
as minhas perguntas
deixam ainda mais confundido
meu coração que já bate letárgico.

os nomes não cabem mais
e nem há lugar pra tudo isso:
estou esvaziando.

vou deixar as gavetas vazias,
o coração vazio
pra poder preencher com o que vier.

vou aos poucos me desencontrando de mim
estou sendo?
me surpreendo comigo
e sinto um leve frio na barriga:
salto no abismo do desconhecido!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

quase

por um milésimo de instante
nós éramos
fomos
somos.

mas ai eu te olho
você me olha
meu coração dispara
e somos dois estranhos.

tento disfarçar;
desvio o olhar.
começo um assunto banal:
"como foi seu dia?"

você me responde,
mas não é a resposta
que eu quero,
eu quero você.
(silêncio)

cada um vai
para um lado.

te vejo de longe com alguém.
sinto uma leve náusea:eu existo.
e por mais doido que pareça
tudo está como está.
não vou me vingar
nem tentar disfaçar
isso não é um jogo: é amor.

vou embora calado.
não choro:sorrio.

será que eu sou tão demodé?
será que eu sou  um museu de velhas novidades?
já estou cheio de me sentir vazio.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

perdoando Deus

"Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele."

segunda-feira, 22 de abril de 2013

árvore

numa ilha longinqua
no meio de um lago
de tamanho continental
há uma árvore solitária

uns diriam que são duas
outros que é apenas uma.
mas isso é um detalhe.
o que importa é que ela existe.

sábado, 20 de abril de 2013

flor

foi por amor
o assassinato da flor?
Eterna é toda
flor que se fana
se soube florir

terça-feira, 16 de abril de 2013

desespero

"Jogar-se ao mar é a atitude do desespero.É a entrega do corpo na descoberta de que a alma propiciou um limbo insuportável em que não há mais o passado que o definia nem lhe é permitido um novo futuro que o redefina. Na busca de um novo "bom", não se encontra um novo "correto" e a única saída é pagar o preço de não ter se bancado o " correto" do passado mesmo que o "bom" fosse inadequado. Desse desespero surge a resignação de que, apesar de não se voltar ao lugar estreito, jamais se poderá atingir um novo lugar amplo."

domingo, 14 de abril de 2013

do amor

o nosso amor não pode ter
endereço, CEP, sobrenome.
Como pedir isso prum sentimento?

ele anda por ai
as vezes nem nós mesmos
sabemos por onde anda

mas que triste fim não seria
se o aprisionarmos numa identidade
num rg
num cpf
num título de eleitor.

ele é muito mais:
está ai pra dar e vender
e ser tudo que ele é.

como podemos reduzi-lo
a condutas?
ele que inventa tudo,
não pode virar mero acessório.

ele ainda vai nos deixar loucos,
mas que assim seja!



quarta-feira, 10 de abril de 2013

O nada

Esse grande nada que
nos circunda

depois de nos desesperarmos
depois de amá-lo
depois de odiá-lo
depois de nos envolvermos

chega o dia em que nada é nada.
choro e não sei porque.

choro, porque estou vivo
choro, porque não sei de nada
choro, porque sou Deus.

na existência infinita
eu sou um ponto finito
sou nada.

e eu estou exatamente aqui
e nada mais.
só isso: choro porque existo.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

vazio:vivo

eu podia ser uma formiga
uma cobra
um leão..

sem pensar
no meio do vazio que
tudo é:
tudo vive e
eu sou.

sou ser quando me esvazio
quando podia ser qualquer animal
vivo.

sou vazio quando não sou nada,
apenas, vivo.

vazio de expectativas, de resultados,
de frustrações.
sou puro na minha essência
em mim vivo.

sou o que sou:nada.
nada que me faz tudo
porque vivo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

estrelas

Os meus amores
estão num céu
estrelado.

Todos fazem parte
da constelação de vida
que me forma

Algumas já se apagaram
Outras estão brilhando mais forte
Todas estão lá e
eu a admirá-las.

O que faz uma estrela morrer
não é a falta de amor.
É falta de clareza.
Se eu não sou eu, ela
não pode ser ela.

O brilho só se faz
com poureza.
Ela é resultado de
uma real integridade.

A inteireza nos faz responsáveis.
Estamos sendo, apesar do outro.
Só nós existimos
o outro é uma ilusão.

A responsabilidade nos liberta
do medo.
Se eu sou eu
nada pode estar errado.

A liberdade verdadeira é
pura e inocente.
É um céu estrelado.
É um universo a nos surpreender. 


domingo, 24 de março de 2013

the turning point

Ninguém nasce preparado pra tudo isso. Estamos todos na merda e chafurdando nela nos esbarramos.No meio da merda há vida. Ela é o final do ciclo digestivo.Estamos vivos. Alguns semi-vivem, mas todos somos viventes.A vida nos dá solavancos e somos todos tão iguais nisso. Todos nós queremos a mesma coisa:felicidade, amor.. Só que nesse mundo existe um sentir e tudo vira pó.À flor da pele a gente vira agente e ai tudo fica confuso.O tecido social nos exige responsabilidade, mas estou de saco cheio.A real responsabilidade é liberdade, é a inocência de uma criança com a maturidade dum sábio.Vivemos mesmo sendo Ets nesse planeta. Nos falta franqueza para lidar com nosso vazio:seres vivos capitalistas.

terça-feira, 12 de março de 2013

o passado como um refluxo

vejo fotos
vejo vida que passa
tudo passa.

navegando no meio dessas lembranças
vou existindo.
lembro quem sou.

se sei quem sou posso existir
na materialidade.

ainda estou navegando no fundo desse rio
cheguei num tempo em que o passado reflui

mas mesmo assim nada tem que voltar.
tudo está onde deve estar.

por isso não me entendo.
antes haviam lembranças ideiais,
agora está tudo misturado.

segunda-feira, 4 de março de 2013

barquinho

no meio do azul
do céu do mar
há mar.

não sei onde estou
não sei quem procuro
são águas calmas

falta vento pro barco
navegar.

os sentimentos me fugiram
sobrou só o velho vazio.
não sei onde fiquei
não sei com quem.

preciso me reinventar
pra ser só eu.
se eu for eu, você pode ser você.

o tempo passou leve
e não há mais como fugir.

a fuga me distanciava de mim.
se eu for eu,  o resto se arranja com o tempo.

sábado, 2 de março de 2013

morte

tem sempre um dia que é morte
mas que também é vida.

a morte está na vida.
morremos e nascemos todos os dias.

a morte de um tempo
a morte de um ideal
a morte de uma inocência.

quando a morte passa
a vida fica clara demais
e parece que nada existe
além desse vazio.

o vazio me assombra
parece que vamos ser engolidos
por nós mesmos.
como isso é possível?

eu era feliz, eu tinha sonhos
e só sobrou essa indiferença.
nem mágoa, nem esperança: vazio.

na secura do deserto
surge o horizonte infinito
onde há vida.

a morte não deve ser vencida
ela também é vivida.

só que pelo contrário.
é a vida em si mesma:
uma pitada de fé
com gostinho de humildade.

todos somos um
todos estamos indo pra algum lugar
e todos estamos desorientados.

e tudo começa de novo.
swiming in a fish bowl year after year.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

a vida

a vida não diz
ela vive.
te pega de calças curtas
quando você menos espera.

ela não tá nem ai pro que você pensa
porque pra ela tudo existe.
pensar pra quê?
pensar me deixa cansado

ela te faz perder o sentido
porque ela é tão vasta
que é o sentido

ela não ta de brincadeira
porque tudo é uma brincadeira.

afinal, sem ela
que resta de nós?

a vida é vivida
pobres de nós que vivemos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

montanha

lá do alto da montanha
tudo vejo
tudo sinto

lá de longe
tudo se passa
distante
mas a vida
não para.

lá sou sábio:
o eremita solitário da montanha nevada
mas num dado momento
a neve fez água em minha mão.

lembrei:estou vivo.
cheio de tudo:
amores, felicidades, tristezas, insastifações..

na montanha parece que isso tudo não existe
mas no fundo tudo existe demais
por isso me refugiei na montanha.

tá na hora de descer pro vale.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

traição

ah, quem dera
estou rindo de mim
não sei o que fazer
parece que vivo
num semi viver
onde nada existe de fato.

parece que tudo pode acabar
no próximo segundo.
vivendo com o coração
sempre a boca.

estou humano demais
e isso me assusta.
não sei o que fazer:
vou vivendo.

a vida é o eterno mistério
vou tateando o futuro
pela minh'alma.

me traindo,
porque meu corpo moral
preferia uma vida as claras
mas a alma me trai

vou me escusando
amando até
onde nao sabia que podia ir

não tem jeito:
vou deixar vir

apender a fluir e
vou morrendo disso aos
pouquinhos.

meu medo era
amar e não ser amado.
mas que se foda,
agora só amo quando quero
não vou mais amar em função de uma perspectiva
do outro

vou trair meu medo.

domingo, 27 de janeiro de 2013

você

estava no supermercardo. nao sei porque me encanto pelo vinho em promoção:uruguaio. ai tem coisa, digo para mim. em meio a uma fila de caixa rápido lembranças me vem. sinto saudade.é, fingia pra mim que nao sabia. a semana tinha sido longa, encontrei com todas elas. olhei no fundo do olho de cada uma. eu queria continuar sem saber, mas eu tinha saudades de você. eu achava que não sabia, mas eu sabia, eu queria você.talvez isso queira dizer amor,por mais que eu relute em me entregar.pra mim você nao é fácil, mexe na minha espinha dorsal. e as vezes o tempo e a distância me fazem sentir como se nada tivesse acontecido,mas a minha memória não deixa.queria não me sentir assim, indefeso,vulnerável.. e por isso fujo como posso, mas nao consigo. fujo porque te amo e volto porque te amo mais ainda.

por outro lado, isso tudo me faz escolher te amar porque é isso que sou. me lembro de nós na praia: a mulher e o mar.o mar engole a mulher. tudo vira a mar.a leve briza me massageava o rosto.amar não era mais ventania. sentia uma alegria mansa:o destino que se cumpriu.brotou flor. a paixão não me queimava,sorria.

por isso meu estomago ficava embrulhado.não sabia mais viver. estava livre demais. um ciclo se completara.agora eu amava o que era:um imenso nada.cheguei aqui porque trai minhas mágoas.eu me estranhei:estava sendo.o mundo não era mais um transe, era o mundo apenas.assim, a realidade do mundo se materializou como eu a havia inventado. fui dormir.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ralo

chega um dia em que a vida
é, apenas:
uma ordem sem mistificação.

chega um dia
em que os velhos
pedaços negros
da sua história ficam brancos.

tudo vai para o ralo.
o ralo que tudo absorve.
o ralo que é você.

desse troço emerges:
sou podre
sou fértil
sou feliz
sou triste.

de tantos seres
somos sem distinção.
somos sonhos
somos realidades
somos o que somos.