segunda-feira, 29 de agosto de 2011

amargo

te olho
me estranho
me remexo.
não consigo mais sorrir.

alguma coisa ficou pelo caminho
acho que foi carinho.
construi uma coisa em mim
na intimidade dividida
e aos poucos ela vai definhando.

carinho que era ponte
entre nós
agora há um abismo que se faz fundo.
sem admiração e amor a ponte não se refaz.
e as incogruências ficam grandes

coisas divididas
sentimentos racionalizados
privacidades definidas:
hora marcada.
amor destruído.

sinto seus abraços gelados
cheios de reserva.
do amor restou só um gosto amargo.
o que me fazia delirar
agora me incomoda.
dói.

queria poder te abraçar, beijar.
mas não consigo mais.
isso me arranha por dentro.
só quero que isso passe.
quero felicidade, amor..

mas não consigo.
meu pulso gelou
a indiferença me tomou
contra minha vontade.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

dor

faz bem.
pode não parecer mas faz.
estou vivo.

sinto-a porque vivo
sensibilidade nos abre
para tudo
inclusive para dor.

e no fim já estou feliz
porque vivi
porque amei.

domingo, 21 de agosto de 2011

amar se aprende amando

nada resta
só eu resto
não é material.

só sei que amei
e amei e amei e amei
até dizer chega.

feliz com o eu
meu resto
porque amor não é coisa
é marca n'alma.

a razão humana
é desumana.
mas já a joguei fora
pelo caminho.
agora sei que nada sei

me completo
no meu infinito particular
com amor para construir

certo da incerteza
admiro o beijo
infinito no horizonte
céu e mar.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sou

Me encontrei.
sou nos outros
por que sou.

o sol brilha lá fora
porque brilha aqui dentro.

também sou o que escolhi ser
e sou.
isso me completa.
livre.

sigo completo no mundo
coringa que sou
que ri na cara do imprevisto
palhaço que sou
que diverte os demais
mago que sou
que exercita seu livre arbítrio.

sem destino
a esmo
a rodopiar entre possibilidades
beijos, romances.
sozinho comigo.
protagonista
trasbordando do meu eu
sou.

domingo, 14 de agosto de 2011

liberdade

Chega um dia
que a luz do dia
te alucina.
quero sair,
cantar a vida!

mas tenho casa
família.
amo minha casa.

Mamãe me quer de um jeito
endurecida pela vida.

já eu sou mole
não adianta,sou feliz assim.

já tentei me endurecer
houveram dias que era tudo que tinha
não deu. sequei por dentro.
agora que me achei
transbordo de mim.
feliz.

liberdade é a habilidade de responder com responsabilidade
"liberdade é pouco o que eu quero ainda não tem nome"
sei o que vou fazer.
Vou viver!
talvez longe de casa
mas com ela no coração.
Amor terno.
eterno.

domingo, 7 de agosto de 2011

Sempre

mamãe, é pra sempre
porque?
independente do que sou
eu sou você e você é mim
amor eterno

minha escolhas te trazem emoções
ligação de carne
difícil de separar
nunca separa
sempre está em mim
estar é ser

também sou ligado a tua carne
como um compasso girando...
sombra no lençol que te tateia pele fina.
formando um circulo.
sempre retorno ao ponto
em que encontro a ti.
e agora?
é pra sempre?

meu amor me toma
e me transforma em descompasso.
meu maior medo é não conseguir te amar.
sou feliz sem futuro.
ser é estar.
sou hoje. amo hoje.
hoje é sempre ontem.
sempre!
eterno.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

semente

sei que não posso criar
amor nos demais
mas hoje vi que posso
plantá-lo.

aos poucos, muito devagar ele cresce
e vai se tornando uma linda árvore
repleta de amor em sua seiva.

mesmo achando que isso seria impossível
um dia torna-se possível
essencial é plantar.

agora colho os frutos
colheita alegre.
vejo como o esforço é válido
constrói amor
argamassa divina presente em todos os seres
e vislumbro um futuro
numa floresta.

a coragem de semear o amor veio de mim
e me orgulho da minha floresta
ansioso por expandi-la
mas sei que a natureza tem seu tempo
mas não deixo de seguir no meu plantio.

tudo ficou insignificante
só o amor é grande
e ele me basta.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Da procura um encontro

visitei os montes da sabedoria
me joguei no penhasco do caos
buscando amor.

aprendi a amar o caos
que sou
que tudo é.

em meio a ele me vi
reflexo desconexo
na água que corre.
sei que não sei
única certeza.

mas agora também sei
que tudo é caos
então amor
por isso não posso
criá-lo nos outros.
não sou deus.

porém posso criá-lo em mim
eu sou meu deus.
a procura agora é encontro

posso amar o mundo
meu coração vagabundo
descobriu seu compasso
no encontro com o caos.

mas também sem descompasso
não há compasso
infinito no meu paradoxo vivo
amo.

sigo num compasso descompassado
sem norte ou sul
mas certo do encontro
esperança é tudo que tenho
evidente no meu pulsar

amor em mim.