sábado, 2 de março de 2013

morte

tem sempre um dia que é morte
mas que também é vida.

a morte está na vida.
morremos e nascemos todos os dias.

a morte de um tempo
a morte de um ideal
a morte de uma inocência.

quando a morte passa
a vida fica clara demais
e parece que nada existe
além desse vazio.

o vazio me assombra
parece que vamos ser engolidos
por nós mesmos.
como isso é possível?

eu era feliz, eu tinha sonhos
e só sobrou essa indiferença.
nem mágoa, nem esperança: vazio.

na secura do deserto
surge o horizonte infinito
onde há vida.

a morte não deve ser vencida
ela também é vivida.

só que pelo contrário.
é a vida em si mesma:
uma pitada de fé
com gostinho de humildade.

todos somos um
todos estamos indo pra algum lugar
e todos estamos desorientados.

e tudo começa de novo.
swiming in a fish bowl year after year.

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