sábado, 18 de fevereiro de 2017

entre a filosofia e o sub(existir)

um trabalhador da economia flutuante
encontrou um colega trabalhador
da economia sólida para uma conversa

ele disse que vivia muito bem
dos seus eventos,
era seu próprio patrão e não tinha
do que reclamar

ai o cara sólido, logo perguntou:
e o que você vai fazer se um dia
não ganhar o suficiente?
quais são sua expectativas de
futuro?

o trabalhador flutuante só
respondeu assim: já tive
muito trabalho chato
e isso é fase na minha vida,
eu vivo pelo prazer

o trabalhador sólido
entendeu logo, a chatice
faz a gente ficar mais
inteligente.
porque ele sabia que nas entrelinhas
do discurso flutuante tinha uma angústia
de não conseguir construir nada e um medo
da solidão.

então, concluiu: a busca pelo prazer
acaba nos esvaziando porque não
descobrimos onde isso está dentro de nós
e nos impede de viver a solidão
necessária em alguns momentos




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

haja coração pra tanto carnaval

é foda estar apaixonado
ficar sem resposta
te faz se sentir mal
parece que nada faz
sentido e a gente luta
até o último instante
no fundo do coração
pra fugir disso

até porque não existe
amor sem dor
aí a gente tenta inventar
a indiferença, mas nunca funciona
e mais uma vez vc vai ligar
e mais uma vez você vai investir

porque quando há paixão
você não tem controle,
mas é muito insosso também
viver na mediocridade
em que tudo se resume a sede

eu sei que é carnaval
e a cidade está em festa,
mas eu não consigo mais
viver vazio

não sei o que me fez
eu estar assim, tão frágil
talvez seja a foto que ela
tirou de mim
talvez seja o seu jeito
de desarrumar seu cabelo
talvez seja o café do starbucks
ou o seu jeito de ser sincera

a simbiose não deu
certo, foi o que ela me disse
você sabe que horas
são?
já era de manhã.
a secretária do lar dela
havia chegado
desci do apartamento numa pracinha
cheia de crianças
em algum lugar do Leblon

mas a foto do ex-marido com as
crianças estava na cabeceira.
afinal, o que prevalece,
memória
ou
tesão?


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O que é arte?

Era um centro cultural
de uma cidade grande
na porta havia uma
talvez louca (porque eu não estou dentro da cabeça dela para afirmar que ela é louca) gritando:
Eu sou uma mendinga preta

Gritava aos 4 ventos
para quem quisesse
ouvir, mas todos eram
surdos a sua dor.

Na sala de cinema
o filme cult bacaninha
rola solto de um jeito
descontraído como se fosse
sempre cor de rosa

O filme era grátis, mas a mendinga
não estava na platéia.
O que eu vi foi strip tease de ego.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

deus não é o big brother

meu pai é ateu
e isso sempre foi
o que mais
admirei nele

e convenhamos
você acha mesmo
que jesus ia perder
tempo vigiando os atos
de cada um p ver se existe mérito
ou não?

se isso fosse verdade a pobreza não existiria
só seria pobre quem não trabalha
assim como não haveria gente preguiçosa
(coisa muito rara no serviço público)
e quem assumisse o trabalho do
preguiçoso ia ganhar mais.

mas não, nada disso existe.
e na boa, deus é mãe
porque ela que vai se preocupar
se vc tá doente, se tá vivo,
feliz.

o pai quase sempre só quer que você seja
bem sucedido profissionalmente
e tá cagando p seu emocional

e digo mais, só estamos vivos
ainda pela boa vontade da mãe natureza
mas nossa ignorância é
incapaz de perceber tal limitação

(nós não somos deuses)

daqui a pouco nosso tempo vai
se esgotar e vamos todos ser
varridos daqui.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O que é amor?
Pra que serve?
Como usar?
Sou viciado em manuais
De instrução

Senti na letra do avô
o carinho de seus
90 anos, de alguém
que nasceu num mundo
sem televisão e internet
E agora está nesse mundo

Fico imaginando como a vida
seria mais silenciosa
sem tudo isso
só os sons da natureza

Tenho que pedir pra ele me contar
como era..
Se ele lembra como foi a primeira vez que o homem foi a lua?
Talvez isso cure minha ansiedade
Talvez seja isso, mexer com a terra

O que mais acho bonito nisso
é ver que a riqueza tá nesses detalhes
que nos dão um sentido de pertencimento a um lugar..
Casa, família devem ter o mesmo significado

A tentativa de uma letra
de forma dele na sua escrita
Me lembrou da minha infância...
Será que tem algo em comum entre
a velhice e os tempos de criança?

É ir se despedindo aos poucos
para voltar ao começo de tudo..
Não deve ser fácil se adaptar
cada vez mais com limitações.
E a beleza está justamente nessa
transformação obrigatória
Criar novas formas de viver
Que se encaixem dentro das limitações
de hoje

Quase nascer de novo..