quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

o sábio

amor que nos é dado como dádiva
que está nos seus olhos
na sua fala.
ainda teimo em me entregar.

estou trocando certezas por sonhos?
tão puro ao que veio
tão simples por ser amor
tão lindo que choro menino, choro.

para amar preciso ser inteiro.
ainda resta uma última prova de amor.
paciente é o amor, como a natureza.

a sábia natureza não tem as respostas
mas se conhece
e sabe seu tempo.

primeiro nasce o botão
depois as pétalas se abrem:
amor verdadeiro brota como flor.
e nos marca por toda eternidade.

florescer é para poucos
tarefa divina que exige muito esforço e carinho.
o sábio vê além e sente que a estrada
é muito mais longa do que nossa mente
que mente enxerga.

o sábio tem olhos de águia.
sabe que tem amor para todo lado
e que a flor é uma dádiva
mas como tudo na natureza
tem seu tempo de florescer
se esse for seu destino.

agradeço a mim por viver isso
por ser eu mesmo.
enfim, sou feliz.
sou grato por tudo que recebo do universo:amor.

domingo, 18 de dezembro de 2011

renascer

cá dentro está tudo mudando de lugar
amor que estava aqui
se sacode e vai pra lá.

o mundo de fora agora pode ser como for
porque sinto que a mudança está aqui dentro.

chegou o dia em que
tudo está onde deveria estar.
deveria não porque assim quis ou
planejei.
mas porque simplesmente é.

não sei quem sou
nem me importa saber.
quero ser mais um apenas.

eu sou amor da cabeça aos pés.
todos somos.

sou eterno em todo instante.
e nessa eternidade me lavei de mim.
papel em branco:
pronto para transformar todo instante.

nessa unidade diversa (plena)
me encontro.
quero viver sem julgar
sendo o que sou
e amando quem sou.

se todos somos um
todos queremos amor, felicidade.
a flor do amor infinito desabrochou em mim
em forma de Deus.

só vejo luz, amor porque toda sombra também é luz.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

criança

tantas coisas para conhecer
tanto conhecimento
e eu, tão ignorante.

sou uma criança
tão perdida
rodopio
tem tanto
pra se viver:
se saber

crinaça desorientada
achava que sabia
mas aprendeu que não sabe:
sente

ao buscar se sentir bem se completa
amadurece
florece
observa suas pequenezas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

temo e amo.

do meu querer ser
surge um mito.
algo que nem eu imaginava
que pensava.

ela seria o simbolo
da minha desconstrução máxima.
como posso colocar sobre outros ombros
senão os meus tal responsabilidade?

vista de perto ela sou eu:
meus medos, angústias.
tudo que queria superar
por isso a temo e amo.

agora sei que os caminhos
estão cá dentro
refluindo para mim.
me desfaço e refaço

ela não tem minhas repostas
a resposta as minhas perguntas sou eu.

eterno nas contradições
(tudo sempre borbulha diferente)
encarando-a como ela é de fato
me reconstruo.

se eu observá-la de frente
tremo
ou a detesto.

amor fati
faço do meu destino um sim
não quero mais ser corajoso
vou apenas assumir meus medos.
sendo?

sábado, 3 de dezembro de 2011

e agora?

tempo, tempo, tempo
e agora?
que josé não pode mais acreditar
mais na revolução.
agora, que josé tem que ter os pés no chão.
o que ele faz?

josé tem três filhos pra criar
como fazer revolução?
coitado.

coitado do brilhante Marx
viu além
pena que o além é esmagado
por esse nosso cotidiano porco
razão ilógica: prazos, compromissos, contas.

20 anos e nenhuma resposta.
e nunca vai haver uma.
angustiante ou instigante?

pobre de nós, humanos.
vivemos na escuridão sem saber.
escuridão do capital
provocada por nossa conformação
legitimadora.
só resta uma pergunta:
"posso, sem armas, revoltar-me?"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

o mistério da esfinge

de tanto procurar
achei.
de tanto me perder
encontrei.

olhava pro mundo
e ele me olhava:cão feroz
queria quebrar paradigmas
ser outro senão eu.
(ou o que eu vinha sendo)

em meio a tempestade de areia
minha visão ficou nebulosa
e tudo era contradição
e eu, o que era?
estava em busca do belo e do vulgar
e de um  novo juízo de valores.

quis ser não sendo
crítica idealista
e como numa valsa
dançei comigo mesmo
até ficar tonto.

de tonto cai no chão
e vi meu reflexo.
quem sou?
o mistério da esfinge;
é o homem!
bingo!

tão óbvio que não percebi
ali, nas minhas entranhas
está o além conceito
ali ,vou me reconstuir

a resposta está cá dentro.
e o mundo vai nascer de novo
porque aqui dentro está tudo ficando diferente.