domingo, 26 de fevereiro de 2012

o rio

onde eu nasci
passava um rio
que passa dentro de mim
guardando minhas lembranças
num fluxo.

o rio queria desaguar no mar.
então, o rio se multiplicou
em muitos.
pensou: sendo generoso
vou alcançar o mar

o rio se irritou
achou que todo seu esforço não valia
de nada.
quis gritar, mas não podia.

a solução foi estagnar em uma lagoa
lá ele poderia descansar suas águas
se divertir, fazer tudo que sempre
deixou de fazer.

o sonho de chegar ao mar foi se distanciando
até que um dia o rio não sabia mais se era lagoa
ou rio.

resolveu então voltar a ser o que sempre
foi. honrar sua nascente mãe.
sem sonhos ele era uma lagoa frustrada
se matando aos pouquinhos.

continuou na sua busca pelo mar
desesperado para encontra-se.
ao retomar seu curso pediu
ajuda a sua nascente
e mais uma vez, sua mãe o susteve.

emocionado com essa generosidade
o rio alargou.
percebeu que ele desaguava em si mesmo
no seu coração.
e nisso ele alargava
ficava caudoloso.

e, um dia, alcançou o mar
porque seu coração já não cabia
nos seus leitos.

http://www.youtube.com/watch?v=jWDuejEHZqg

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ser não é lógico

um dia você
descobre quem você é.

o que você precisa ser
perdeu o sentido:
porque agora você é.

tudo faz sentido
de uma forma profunda
ou numa aproximação lógica:
é totalmente incoerente.

ser não é lógico.
descobri meu fim:
compartilhar.

quero ter a oportunidade
de transformar o dia
de cada ser humano.
não sei onde isso vai me levar.
agora só quero uma certeza: satisfação espiritual.

como? também não sei.
mas estou na busca.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

felicidade clandestina

a felicidade verdadeira
é tão pequenina.
muda.

se eu não fosse grato por ela
nunca a perceberia.

ela vem sorrateira
e me pica no peito.

e, não mais que de repente, o sorriso
dos demais se torna
o meu sorriso.

essa é a maior prova de amor:
ser feliz por quem você ama.

a tranquilidade é tão recompensadora
que fico mais feliz ainda.
é como se fosse uma polinização de felicidade.

enfim, já me perdi dentro de mim
as metas, o destino
nada mais me importa
não preciso de mais nada.
porque agora, nesse exato momento,
sou exatamente o que devia ser: feliz.