domingo, 7 de dezembro de 2014
solidão
e na verdade eu nem sei porque estou sentindo isso
porque é nada.
E pensando bem, se nada é, para o nada vai
mas mesmo sabendo disso
continuo instigado,
não sei porque estou aqui
não sei por quanto tempo
nem sei pra onde estou indo.
só estou boiando nesse mar infinito
(nada)-a-ndo
talvez seja só mais um dia nublado
gyttttttttttttttttttttttttttt
(gata no teclado)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
da solidão
encontrando
crio histórias de possíveis
acontece que na real
eu não sei lidar com eles.
também não caibo
nos textos de discussão
sobre amor livre:
como teorizar sobre os afetos?
vou me descobrindo
cada vez mais
solitário.
não tem mais metade:
só tem eu aqui nesse mundo
quero coisas bem simples
nem um pouco utópicas
é só o encriançamento das coisas
quero verdades não-obrigatórias
quero o acaso mágico
quero o impossível do possível
quero estar e
não preencher meus vazios com
alguém.
simples, pontual, só.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
trovoa
meu céu trovoa no nascimento
que vem do caos
entre os elementos primordiais
me explodo por dentro
chamo atôlô para me ajudar
a pisar no chão
pra ouvir o tambor do ritmo universal
oxalá obabá vem me ajudar
me firmo de novo no amor
sinto que o caos é melhor
do que a caótica ordem
permaneço.
|
O livro da virtude, Capítulo 14
" Caminho é o Vazio
E seu uso jamais o esgota
É imensuravelmente profundo e amplo, como a raiz dos dez mil seres
Cegando o corte
Desatando o nó
Harmonizando- se à luz
Igualando - se à poeira
Límpido como a existência eterna
Não sei de quem sou filho
Venho de antes do Rei Celeste"
http://app.uol.com.br/iching/mensagem2.php?msg=9_6_6_6_9_6
terça-feira, 4 de novembro de 2014
pinto roxo
Como o píntinho roxo que vc havia me dado no terminal
E que morreu afogado por acidente no box.
Parecia que vc ainda estava aqui me pedindo
pra não te esquecer
Só que quando acordei você havia se tornado memória
(algo nebuloso como a luz)
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Abismo pós moderno
O pensamento vê totalidade. O sentimento é sempre partilhado e fractal. Como um caleidoscópio de sensações.
Entre esse tudo e esse nada nós vivemos. Numa floresta escura, ou um vazio, ou uma floresta tropical. Alquebrados.
" Surdo, na universal indiferença, um dia, Beethoven, levantando um desvairado apelo, sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo... E o seu mundo interior cantava e restrugia. Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo, viu, sobre a orquestração que no seu crânio havia, os astros em torpor na imensidade fria, o ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo. Era o nada, a eversão do caos no cataclismo, a síncope do som no páramo profundo, o silêncio, a algidez, o vácuo, o horror no abismo... E Beethoven, no seu supremo desconforto, velho e pobre, caiu, como um deus moribundo, lançando a maldição sobre o universo morto! "
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
a história se repete a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa
Vigiar e punir. Petrópolis, Vozes, 1987, 27a Ed. p. 87
Hoje me deparei com mais um discurso de ódio anti PT a qualquer custo na minha timeline.O que me assusta é que isso tem se tornado cada vez mais normal e não se discute mais política, apenas corrupção. Eu, na minha inocência, me achei capaz de desconstruir tal discurso de ódio e enviei ao dito cujo a declaração de bens de Aécio Neves.
Nesta declaração que consta no site do TSE (http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2014/sistema-de-divulgacao-de-candidaturas) começa com um apartamento na Lagoa/Leblon pela bagatela de R$ 109.550,00. Ora, por essa micharia qualquer trabalhador que se esforçasse poderia ter um apartamento no Lagoa com um financiamento do " Minha casa, minha vida".Tenho certeza que muitos trabalhadores iam adorar essa possibilidade de morar com aquela vista. Além disso, sua qualidade de vida seria outra, poderiam correr de manhã na Lagoa, ir de metrô pro trabalho.. Acontece que essa é a realidade de uma minoria muito pequena. Um grão de areia no mar.Por isso a declaração de bens de Aécio é uma impáfia. Um insulto a inteligência. Como nosso querido candidato não anda de ônibus, não usa a saùde pública(não é a toa que não investiu nem 12% do orçamento do Estado de Minas em saúde), não estuda numa escola pública e etc..No entanto, ele não trabalhou duro para conseguir comprar um apartamento, simplesmente nasceu neto de um presidente da república.
Meu dia segue. No trânsito, num engarrafamento. Várias mercedes passam em volta do carro do meu pai velozes e penso: O que leva uma pessoa a comprar um carro que vale mais do que a casa de muita gente? Só pode ser pra ostentar, porque custo benefício de se ter uma Mercedes em terras tupiniquins inexiste.
Repentinamente, aparece um motoqueiro encapuzado e aponta uma arma para o motorista da Mercedez. Isso o intimida e faz com que ele abra o vidro. Apontando a arma ele consegue fazê-lo entregar o relógio, carteira . Em seguida, ele sai numa arrancada pelos corredores entre os carros. Simultaneamente, um homem negro e corpulento sai da mercedes armado correndo atrás do motoqueiro.Por sorte, não começou um tiroteio em pleno engarrafamento na Avenida das Américas.
De que serviu o segurança pro dono da Mercedez? Que diferença faz uma carteira e um relógio para ele? O que é a vida?
Nessa tensão paradoxal em que vivemos somos lobotomizados, automatizados. Somos condicionados a nos sentir de uma determinada forma já que só existimos nesta porra de capitalismo enquanto consumidores(enquanto escrevo este texto a Claro me liga para oferecer uma promoção). Temos nossos desejos de tal forma manipulados que acabamos por criar relações emocionais com mercadorias. Agora, o que veio antes o mercado ou a vida?
Essas eleições não estão fáceis, estamos encurralados feito gado em BRT/ônibus/trem/metrô/engarrafamento.Não temos nenhuma opção de esquerda que nos satisfaça. No entanto, eu sei o que não quero: a naturalização do primado do privado sobre o público. E sei quem representa esse projeto político.
Democracia se faz com direitos e transparência. para todos discutirem.E o segurança está ali para deixar as coisas opacas. Qual é o sentido de um policial privado?
Hoje, peguei um BRT lotado p voltar p casa, sem espaço nem p respirar. Não tenho dúvidas de que ele estava cheio porque haviam muitas mercedes andando na rua com apenas um ocupante. Diante de tal indignação, decidi filmar o ônibus partindo. Eis quando tento pegar o movimento do veículo se afastando da plaforma me aparece um segurança e põe a mãe na frente do meu celular. Fiquei posesso diante de tal atitude e lhe questionei:Porque? Ele me responde: Normas da empresa. Eu vocifero: Isso não é lei.
Em que Estado vivemos? Para Weber, o caracterizava o Estado era o nonopólio da coerção ou seja, da violência física institucionalmente legitimada. No entanto, hoje somos coagidos por seguranças dentro do âmbito do privado. Vivemos num Estado de direito? Por isso tenho nojo do projeto privatista. Por isso, vou votar 13, apesar de todas contradições.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
às 4 da manhã
gosto desse som
só que como um diálogo
sempre inacabado. sempre na cesura
sempre na contingência. sempre um esboço.
a morte é tudo o que existe
já que o pensamento enquanto humano
é sempre uma morte.
mesmo quando crescemos estamos morrendo.
eternamente caminhando.
Se o presente está sempre morrendo
a morte não existe. Ou nada existe além da morte.
quer saber, não importa.
Os passarinhos cantam às 4 da manhã
do mesmo jeito.
"Vejo que está sofrendo. Mas se não pode mudar a si mesmo, tente mudar o mundo.
Fique bem, isto é o mais importante!
Por que só os tolos sentem-se bem?
A estupidez é infalível, você sabe
e o mundo não faz sentido sem a estupidez humana.
As vezes penso que todas as nossas categorias humanas
são uma farsa e tudo é o oposto : a vitória é uma punição
e a perda é um prêmio. Quer saber, vemos a vida como o maior valor
e a morte como a pior das perdas. E se a morte tivesse maior valor e a vida
fosse uma derrota? Mas pense.. Parafraseando Epíteto, o passado não pode morrer
porque já está morto. O futuro não existe porque ainda não chegou. Só o presente pode morrer,
o momento atual e está constantemente morrendo. Conclusão? A morte não existe.
Ou nada existe, exceto a morte.Oh, eu adoro livros. Só eles me levam à sério.
-São generalizações, Tia
-Eu não posso ouvir isso. Sim, sim eu entendo. E vejo que a escuridão reina em você.
Mas você sabe, traduzi um poema persa antigo recentemente e falava algo lindo
sobre a escuridão. " a escuridão não é o oposto da luz, mas o seu berço. Só na escuridão a luz pode nascer."
Eu vou ler para você.
Sêneca, Cartas a Lucilius
"Não encontramos com a morte de repente, mas andamos em direção a ela através
de pequenos detalhes que morrem todos os dias. A cada dia que passa, um pouco da nossa vida é tirado de nós. Mesmo quando crescemos a nossa vida está em declínio. Perdemos nossa infância e, depois, nossa juventude. Contando até ontem, todo o passado está perdido. Até o dia que estamos vivenciando agora é compartilhado entre nós mesmos e a morte. Nós atingimos a morte em determinado momento embora tenhamos estado muito tempo na estrada."
E Heidegger com sua ideia de floresta. Sabe, Heidegger compara a vida com estar em uma clareira. Isso é um tipo de clareira, ou um feixe de luz. Antes de nascermos, nós vivemos naquela floresta escura como um ser em potencial. E quando nascemos, nós vamos para essa clareira, para a luz, para sermos visíveis. Mas as pessoas só nos vem do ponto que elas nos observam. E durante nossa vida, ninguém, ninguém nos vê como um todo. E depois da morte voltamos para essa floresta escura, tendo o nosso ingresso registrado no livro da vida pois, de acordo com Heidegger, o ser é indestrutível. Então o que é a morte? A decomposição da matéria? A destruição da consciência? Ou é a separação, é sumiço do campo de visão e dos sentimentos? Quantas pessoas já enterrei embora estando vivas? Quantas já me enterraram? Enquanto eu existo, eu penso e sinto? Havia fortes laços entre nós, vivíamos juntos, passávamos por experiências semelhantes, de repente, sem nenhuma explicação, paramos de encontrar-nos, telefonar e escrever um ao outro. Usualmente, por algum motivo
insignificante.Alguém se afastou, disse algumas palavras indelicadas ou olhou para alguém de forma errada. Ou pelo menos parecia. Ou alguém disse que alguém disse que alguém tinha dito algo ou coisa parecida. E por isso tornou-se banal.
domingo, 5 de outubro de 2014
Dos buracos negros
te atraie pro
seu campo gravitacional
te engole feito buraco
negro.
como aranha na teia ela tece
o seu querer no outro
até o outro achar tanbém ela
no interestelar dessas super galáxias
ela é um espelho que eu vi
uma realidade paralela
a minha história de menino
Mamãe me amava muito.
sábado, 4 de outubro de 2014
superfície e profundidade
“‘Vamos reencontrar, invariavelmente, no signo a conversão da pluralidade em unidade, e na palavra, o tornar comum, vulgar mediano mediante a igualação do desigual. Em ambos os casos, a perspectiva do rebanho. Nesse ponto, convém mostrar que, há uma distinção, cara a Nietzsche, entre profundidade e superfície que permite compreender a remessa da palavra ao comum. Com relação à superfície, trata-se, para o filósofo, de tornar comum, através da fala, os estados vivenciados. Por profundidade, ele entende os processos indeterminados, desconhecidos, inapreensíveis, que se passam na luta entre aquilo que ele denomina de impulso, força ou vontade de potência. Instância detentora de qualquer expressar, não se deixa vulgarizar a ponto de ser traduzida em uma linguagem passível de compartilha, mas, ao contrário, é vedado o acesso a esse domínio via consciência. Nada há de pessoal na consciência, na visão do filósofo, já que a mesma se desenvolveu devido à necessidade de comunicação, estando, por isso, vinculada à rede do comunicar e do utilizar. Tem-se aqui uma especificidade da compreensão nietzschiana acerca do pensar e do estar consciente desse pensar: "o homem como toda criatura viva, pensa continuamente, mas não sabe disso; o pensamento que se torna consciente é apenas a mínima parte dele, e nós dizemos: a parte mais superficial, a parte pior..." (FW/GC 354, KSA 3.590). A distinção existente entre o pensar, que não se separa do querer e do sentir, e do estar consciente desse pensar separa diametralmente a profundidade e a superfície. No primeiro caso, a inexistência de comunicação; no segundo, a vulgarização que permite o tornar comum. Disso decorre a impossibilidade de apreensão e compartilha dos processos que se passam aquém da comunicação, isto é, de tudo aquilo que se passa em profundidade”
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
a resposta de lucilius
me beatificar no fluído do impossível
(os opostos estão sempre nos olhando, provavelmente, devem estar no céu ou no inferno rindo de nós)
meu sangue sai de mim
como cristo na cruz
(o escuro não é o oposto da luz, mas o seu berço)
Carta de Seneca a Lucilius
http://temporama.blogspot.com.br/2011/01/carta-de-seneca-lucilius.html
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Incompreensão
Você me mostra pra mim
Diante de tal nudez
Eu me sinto fraco.
(eu não podia estar aberto assim)
Se eu quero ser forte preciso
me revoltar contra você que me
viu como eu nunca tinha me
permitido.
Me consumo na incompreensão
trazida pela minha onda de arrogância
Ela me separa de você e do mundo.
Só que hoje ao acordar, percebi
que me revoltar contra você é
me amputar.
Eu já me misturei.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
????
(imortal!)
que cê faz?
PERCEVEJO
(vejo)
aquele se não sou eu
ALI.
terça-feira, 22 de julho de 2014
nó
sonho contigo
sonho comigo
num outro tempo
minha criança me tira do fundo
de onde eu estou
e me traz pra cá: olha, ela me diz
olha os livros
olha os fatos
ouve o som
sente.
o nó de onde eu tô
lentamente afrouxa
inspiro
expiro.
será mesmo que isso que eu tô sentindo é tão grande?
desatando vou me descobrindo
maior que toda dor
porque ela está dentro do amor.
"Que vos parece, homens superiores? Serei um adivinho? Um sonhador? Um bêbado? Um intérprete de sonhos? Um sino da meia-noite? Uma gota de orvalho? Um vapor e um perfume de eternidade? Não percebeis? O meu mundo acaba de se consumar; a meia noite é também meio dia, a dor é também uma alegria, a maldição é também uma benção, a noite é também sol; afastai-vos ou ficareis sabendo: um sábio é também um louco.
Disseste alguma vez sim a uma alegria? Oh! Meus amigos! Então dissestes também sim a todas as dores!Todas as coisas estão encadeadas, forçadas; se algum dia quiseste que uma vez se repetisse , se algum dia dissestes: Agradas-me, felicidade! então quisestes que tudo tornasse.
Tudo de novo, tudo eternamente, tudo encadeado,forçado: assim amastes o mundo ; vós outros, os eternos, amai-lo eternamente e sempre , e dizeis também à dor: Passa, mas torna! Porque toda alegria quer a eternidade."
Assim falava zaratustra, Pg 324-325
domingo, 20 de abril de 2014
coqueiros
entre o sim e o não
como se tudo só existisse no ar
das mãos que tocam
o tecido entre o céu
e nós.
no limite do existir
(toca ou não toca)
associação ou falsificação?
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Tempo morto
Tempo nasce
Como riacho
Só que não seca.
Multiplica
Outros tempos já se estão indo
Pra se reinventarem.
Agora é um presente.
Sendo se é
Observo o fluxo
Nasce o nada em mim.
Dai tudo se mistura
Num segundo
Ser.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Artimanha
Como dois compõe uma realidade
(só porque estão ali)
distraídos.
Se estivessem flertando não seriam dois.
Porque um se pensaria no
outro, então já são cada um.
Os dois se movimentam pela inércia do
movimento inicial.
Só que a todo instante começa de novo.
Eternamente desconhecidos se conhecem
(perdem-se no horizonte dos olhos um do outro)
Sua sina é ser como o céu e mar
( se tocam, sem encontrar-se como num beijo)
Até o anoitecer
Porque a noite é infinita.
http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Paradoxo_de_Olbers
quarta-feira, 26 de março de 2014
mesmices da rotina
é tudo que um pai pode ensinar
ao seu filho
fumo contigo.
gosto de fazer os meus conta própria
acho que um homem deve ser artesão
de seu vício.
nossos cigarros são diferentes
(a praticidade me cansa)
gosto de me colocar nas coisas.
você sempre me ensinou
a objetividade.
e eu nem sabia que eu pensava assim
até te perceber em mim.
as horas passam no transcorrer das águas
o vermelho dos cravos me descortinam o além
(terras onde tu que me emprestou seu sangue não foi)
vermelho de paixão?
não, é só amor mesmo.
aquoso, disforme:vazando pelas bordas.
essa é a minha lição.
"A uns eu atribuia vicios -fumo, roubo- mas não sou de índole sexual e não lhes atribuia actos, salvo creio, uma predileção, que me parecia um acto de brincar, de beijar raparigas e espreitar-lhes as pernas. Fazia-os fumar papel enrolado por trás de uma caixa grande que havia em cima de uma mala. Ás vezes aparecia no lugar do mestre. E era com toda emoção deles que eu me via obrigado a sentir, que eu arrumava logo o cigarro e punha o fumador vendo-o curiosamente desprendido à esquina, esperando o mestre, e cumprimentando-o, não me lembro bem como, á inevitável passagem... Ás vezes, estavam longe um do outro, e eu não podia com um braço manobrar esse e outro com o outro. Tinha que os fazer andar alternadamente. Doía-me isto como hoje me dói não poder dar expressão a uma vida... Ah, mas porque recordo eu isto? Porque não fiquei eu sempre criança? Porque não morri eu ali, num desses momentos, preso das astúcias dos meus escolares e da vinda como-que-inesperada dos meus mestres? Hoje não posso fazer isto... Hoje tenho só a realidade, com que não posso brincar... Pobre criança exilada na sua virilidade! Porque foi que eu tive de crescer?
Hoje, quando relembro isto, vem-me saudades de mais coisas que isto tudo. Morreu em mim mais do que o meu passado."
Página 141, Livro do Desassossego, Rio de Janeiro: Tinta-da-china Brasil, 2013.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Traidor
Em algum lugar
Me prometi
Te amar de um jeito assim
Infinito, talvez?
Mas eu me trai
(Sempre um traidor)
Porque quis te odiar
E agora eu não sei mais
(Coração na barriga girando como numa máquina de lavar)
Sou um traidor
Como posso me
prometer sentir o
o efêmero?
A todo instante um olhar perdido
me provoca.
A potência do meu sentir
em ti me desnorteia
Porque te fiz de intocável
Felicidade?
Não, isso não sou
Eu.
Quando vou me ser em mim?
Já desisti de ser indestrutível
Me satisfaço com a consciência
de que sou frágil.
Volto a ser o meu personagem
e parece que nada aconteceu.
Porque a gente é assim?
segunda-feira, 17 de março de 2014
2+2=5
voltou
e foi de novo.
ele não para.
ele ta espalhado por ai
(num detalhe da sua saia)
já tentei descobrir
como fazê-lo ficar
mas não tem jeito não
quando o assunto é coração
a gente tem que se jogar
(só o amor liberta)
agora desisti das metafísicas
eu só o sinto
e deixo estar.
com você do meu lado
fica mais fácil.
te levo nas minhas memórias de infância
te apresento meu menino
me mostro na minha última fragilidade
-comemos uma torta de banana-
e te amo.
e te amo.
e te amo.
quinta-feira, 13 de março de 2014
louco
como pode criar um mundo
na nossa cabeça
do lado de fora?
me fez de bobo.
ontem tudo era
hoje já acordou outra coisa
e parece que eu fiquei
entre.
e agora?
a cabeça é a louca da casa
já dizia minha tia.
loucos são os outros que não me entendem
louco sou eu que não entendo os outros.
quem tem razão
nessa insanidade?
quem disse que existe
sanidade?
tudo gira em torno de mim.
a barriga sente a cabeça
o coração sente o pé
(desconexo)
quem será que eu sou?
eu não consigo responder.
só posso estar louco.
sexta-feira, 7 de março de 2014
papisa
eu não saberia como sou livre
ser-me-ia sendo
só que nossa realidade é
a solidão
nos fazendo sempre
livres
fico doido.
nunca me vi
livre.
então, só me resta
ser o sonho:livre.
liberdade conquistada
por mim (sozinho) mas
apavorante.
sem leveza ou peso
como ser 2 sendo 1?
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
momento entre
o aqui não seria agora.
se ontem não fosse hoje
haveria amanhã?
Estive estando por aí.
só por estar.
Acontece que estar é ser
(momento entre)
Presente?!
divindade dada.
cores amores
amores.
tem dias que acordo e me
espanto com todas elas.
Noutros elas parecem ter
desaparecido.
converso com elas
pra ver se elas me deixam
colorir o papel.
mas elas não se deixam ser usadas.
(têm vida própria!)
distraido vou tentando encontrá-las
amarelos sol
verdes mar
azuis céu.
tem dias que pode parecer
que elas foram embora, mas elas
nunca nos abandonam.
elas mudam o tom, a temperatura, o gosto
mas continuam ali.
vão se misturando com o passar da vida..
sempre estão ao alcance dos meus dedos
na infinita eternidade que há entre os meus braços.
estão na eterna tentativa do ceú e mar
serem um só no fim do horizonte.
como eles, mesmo sabendo que nunca vão conseguir,
elas continuam tentando.
isso deve ser a vida..
é só uma
beleza (des)importante.
boba, ingênua, mas...
me faz sentir pedaçinho da imensidão.