"“Para curar uma doença / É preciso conhecer / a doença / É preciso criar o mundo / desde o começo /e ver a doença nascer / para então curar (Dessana Dessana, 1975)"
a parede branca
nada contém.
a moldura criava
uma janela na parede
na cidade não
existe mágica:
tudo é o que é.
olha-se pro horizonte
e só se vê prédios:
humanidade sem fim
para curar precisamos
criar, inventar um mundo
e ver a doença nascer.
a gente precisa da
doença pra vislumbrar
esse novo mundo:
ela nos descoloniza
precisamos ter fim
para criar, senão
é só continuação
colonizaram para
destruir a magia,
para não podermos
criar.
inventaram deus
e o diabo para
nos conformar
com o fim da
magia
talvez nem seja
a doença que mate,
porque já estamos
morrendo.
o que mata é
nos roubar a magia
e nos confinar
num cubo de
paredes brancas.