segunda-feira, 30 de abril de 2012

tempo rei

tempo foi
tempo é
tempo de ir

tempo de quebrar o ovo:
sair do ninho.
agora sei: certeza veio do fundo

a certeza de que meu tempo chegou
certeza de que sou.

faz o tempo de ir
para outro lugar
que eu seja outro
senão eu.

ser eternamente
condenado a minha liberdade.
agora estou pronto
porque faço esta escolha.

tempo rei
"Tempo rei, ó tempo rei,
ó tempo rei
Transformai as velhas formas do viver"

sexta-feira, 20 de abril de 2012

eu, tu, eles

quando você já sabe.
sabe que você não é.
por isso você foi
a sua vida inteira.

foi outros senão
tu mesmo que
nada sabia de ti.

eles que tudo
sabiam de ti.
eles que te transformaram
no que você é.

no meio do nada
sem mim
sem tu
sem eles.
quem és?

nada.
surge desse pântano branco
o tédio de si.
o que resta?

tudo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

liberdade?

o dia bate na gente
bate até tirar sangue
mas continuamos
porque não conhecemos
opção (?)
melhor do que esta.

continuamos
e o dia bate na gente de novo
gritamos de dor
mas sempre continuamos.
temos que continuar (?)

o dia bate na gente
e nos ajoelhamos.
onde foram parar nossos sonhos?
"vendidos tão barato que eu nem acredito"

por causa dessas pancadas
perdemos nossa face.
viramos mais um.

eu, você e todos nós
somos consumidores
que rezam todo dia ao comprar
algo.
Nossa reza alimenta
o Deus Mercado.

e o menino
que está aqui dentro
cheio de sonhos quer se esconder.
quer dormir até tudo isso passar.

mas ele não pode.
por que ele também tem que continuar
sem saber pra onde.

só continuar.
quando algo vai furar
essa camada de tédio, nojo, e ódio?
será que somos livres?