então, cheguei na floresta
no coração mais isolado
que era possível dentro desse
país.
aqui, onde tudo é longe
e nada é como se imagina
aprendo a ser eu
apesar dos outros
apesar dos eus espelhados
apesar dos obstáculos imaginários
aqui aprendo a colaborar comigo
a falar numa voz mais uníssona
da onde eu vim, para onde vou
cheguei na fronteira
entre mim e o mundo
para peneirar o que resta
(ou tudo que há)
cheguei no silêncio
de onde só se pode ouvir
grilos, corujas e besouros
com a reverência que ele
merece
cheguei no vazio
onde não há internet farta
nem barzinhos com gente conhecida
nem progenitores para me acalentar
cheguei no zero
para voltar pro inicio
me desenrolar de dentro
pra fora.
do finito
para o
in-finito do céu negro que se mistura com o Rio Negro
no horizonte.