sexta-feira, 5 de julho de 2013

todo fim tem um pouco de começo

todo dia me reviro
viro do avesso
Sou sozinho.
não acredito mais
que vou ser tudo

sou cheio de vazios:
colcha de retalhos
me costuro todos
os dias.
Vivo
revivo a vida
pelo contrário.

Me contrariando
acabo sendo.
Vou vivendo, afinal,
a vida é vivida!

Nem me dou
por mim mais.
As vezes me escapole
uma interjeição:
Ah, estou sendo!

Mas isso não é coisa
de todo dia.
A gente vive disfarçado
nessa vida:festa à fantasia (?)

quem sabe se o tempo não existir
eu viro alguma coisa?
(eu invento o tempo?)

"Porquanto,
Como conhecer as coisas senão sendo-as?
Abrigo minhas musas, amam sobre.
Aflijo-me por elas, sofro nelas,
Encarno-me em poesia, morro em cruz,
Cravo-me, ressucito-me. Petrus sum.
Sou Ele mas traindo-o, mas em burro,
com esses cascos na terra, e ventas no ar,
cheirando Flora; minhas quatro patro patas
rimam iguais, forradas, alforriadas,
burro de Ramos, levo o dorso
Alguém em flor, Alguém em dor, Alguém."
Jorge de Lima

http://colorindopaginas.blogspot.com.br/2013/02/canto-vii-audicao-de-orfeu-poema-xiv.html

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