sábado, 24 de dezembro de 2016

eu e ela

como se a vida fosse um foguete
a gente nunca sabe onde vamos
parar

as vezes fico pensando
em quantas coisas não criamos
para apenas haver linguagem

as memórias são destino
mas o futuro é sempre uma
escolha

amar(elo) que nos dá
sustância no mundo
porque toda união é síntese
pela sua força

mas, antes disso, há o medo
da simbiose
como se ela fosse
o fim da individualidade.

e aí, como sermos espontâneos
dissolvidos
com todo esse cenário em volta
onde começa o amor e se transforma
em fusão caótica?

amamos porque amar faz o coração
crescer
nos sentimos maiores..

porque o amor é muito mais que um amor de homem e mulher.
quando amamos nosso bicho de estimação, família, amigos
é só um desejo de estar, de se doar, de cuidar.
é quase uma oração, é livre e espontâneo
a gente pode até tentar segurar,
mas sempre vem numa hora.
não dá pra viver sem isso.

no final é muito simples
ela estava lá só por estar
e eu também
naquele momento
que sabíamos efêmero
numa manhã dourada
de amor

quantas coisas ausentes
não vivemos só para
preencher espaços vazios?


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