quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Portas

toda linguagem
começou antes
em outra porta
a cada nova porta
me lembro de uma
antiga porta

elas vão se sobrepondo
no meu caminho/ corpo
vou sendo levado
por essas sensações
descobrindo minha chave
meu código

cada fechadura
tem um segredo
a minha chave é
mutável, molda-se
para encaixar.

neste labirinto
de perspectivas
navego sem saber
onde vou pousar

(Vale o quanto brilha ou vale enquanto brilha?)

entre tantas histórias
uma cidade, um lugar
que nos deu sentido
sensação vida
(ainda bem!)

estamos aqui
a passar o tempo
vida: tudo que temos
nossa preciosidade
partilhada

Disso é possível
construir um mundo:
todo instante é uma
possibilidade devir

E aí, qual é o nosso lugar?
Onde estamos
nesse infinito presente?

O amor é uma loteria
às vezes ganhamos
E bingo: envolvimento
noutras só saímos mais
perdidos.
o importante é apostar,
pois só ganha quem tenta.

Da linguagem
que se constrói vamos cavando
nossas profundezas
E aí vem os enigmas:
os sentimentos são uma abstração?
O imprevisível do gostar
nos leva pra terra do
espontâneo fluir

A nuvem chove
porque precisa de um
pouso, se esvaziar
a terra recebe essa água
para ser fertilizada
e nutrir a semente
para que
cresça

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