quinta-feira, 4 de maio de 2017

Quando o invisível torna se visível

Era uma manhã
Não lhe faltavam ideias
Eram tantas que o deixavam
confuso

O seu tempo de solidão
Lhe ensinou o valor do silêncio
para organizar as ideias

Ele já não sabia mais onde
acabava e começava o
outro. Será que vivemos
para atender demandas?

A alteridade de areia movediça
tinha feito ele se perder dele mesmo.

Era uma felicidade estranha
tinha aprendido a observar
sua confusão.
Tal aprendizado o tornou mestre de si
percebeu sua potência e como ela se esvai.

Parecia que nada mais importava:
estava cabendo em si mesmo
Feliz em sua solidão.

A vida era mais simples do que imaginava.

"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustoso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e ai. Aviso também que não se deve temer seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez."

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