quarta-feira, 15 de junho de 2016

o velho e o mar

"-Precisamos de arranjar uma boa lança e tê-la sempre a bordo.

A lâmina pode fazer-se de uma folha de molas de um Ford velho. Amolamo-la em Guanabacoa. Tem de ficar afiada; e não temperada assim, parte-se. A minha faca partiu-se.

- Eu arranjo outra faca e trato de afiar a mola. Quantos dias de brisa fresca ainda temos?
- Talvez três. Talvez mais.

- Porei tudo em ordem.

Trata de curar as tuas mãos, meu velho.

(...)

Ao cimo da estrada, na sua cabana, o velho adormecera outra vez. Ainda dormia de bruços, e o rapaz estava sentado ao pé dele, a observá-lo. O velho estava a sonhar com os leões."


http://bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/services/e-books/Ernest%20Hemingway-2.pdf

últimas páginas


de tanto olhar o mar
no vazio da minha solidão
onde só o silêncio nos acompanhava
só eu, você e o mar.

a vida nos traz encontros
que as vezes não conseguimos
absorver

por isso olhamos o mar juntos
para nos comunicarmos
no silêncio das ondas
(comunicação extra-sensorial)

enquanto você olha para os leões
que se foram
eu olho para o horizonte
tentando ver o invisível

comungamos em silêncio
já sabemos que somos
um o outro de um jeito diferente:
amor de pai e filho.



Nenhum comentário:

Postar um comentário