"-Precisamos de arranjar uma boa lança e tê-la sempre a
bordo.
A lâmina pode fazer-se de uma folha de molas de um
Ford velho. Amolamo-la em Guanabacoa. Tem de ficar afiada; e
não temperada assim, parte-se. A minha faca partiu-se.
- Eu arranjo outra faca e trato de afiar a mola. Quantos
dias de brisa fresca ainda temos?
- Talvez três. Talvez mais.
- Porei tudo em ordem.
Trata de curar as tuas mãos, meu
velho.
(...)
Ao cimo da estrada, na sua cabana, o velho adormecera
outra vez. Ainda dormia de bruços, e o rapaz estava sentado
ao pé dele, a observá-lo. O velho estava a sonhar com os
leões."
http://bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/services/e-books/Ernest%20Hemingway-2.pdf
últimas páginas
de tanto olhar o mar
no vazio da minha solidão
onde só o silêncio nos acompanhava
só eu, você e o mar.
a vida nos traz encontros
que as vezes não conseguimos
absorver
por isso olhamos o mar juntos
para nos comunicarmos
no silêncio das ondas
(comunicação extra-sensorial)
enquanto você olha para os leões
que se foram
eu olho para o horizonte
tentando ver o invisível
comungamos em silêncio
já sabemos que somos
um o outro de um jeito diferente:
amor de pai e filho.
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