chegou o dia em que não consigo mais
me diluir pelo mundo.
me assumi responsável por mim.
a responsabilidade
da real liberdade
me fez abdicar do ideal.
fiquei vazio
e a vida ficou pesada.
sem ideal a vida parece não ter sentido:
se arrasta por nós através do tempo.;
ninguém mais é capaz de me fazer feliz
nenhum trabalho me realiza
não existe mais o porvir de felicidade.
esta é a bela crueza da realidade.
chegou o dia em que a vida,
apenas, é uma ordem:
sem mistificações.
chegou o dia em que o sentido
se liquefez num cotidiano
de (revi)ravoltas.
ele apenas está esparramado por ai
num sorriso, ou num choro sincero.
ele apenas é.
chegou o dia em que eu me basto em mim:
eu invento o mundo.
por isso meus ombros suportam o mundo.
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