a gente sempre acha
que temos um dever:
a coisa certa a se fazer.
pobres de nós, somos tão
sem sentido como uma barata.
nos esquecemos disso, mas a vida
nos lembra.
e é justamente desse mar de caos
(vazio de signos, se nos permitimos mergulhar)
que brota delicado o devir.
ele é o dever que já não é mais
mas continua sendo.
como num rio não existem dois pontos
iguais, mas não deixa de ser um fluxo.
como um horizonte em que céu e
mar nunca se encontram, mas continuam
se beijando.
eterno devir, nos faz eternar por ai
numa lágrima
num sorriso
num momento.
fugidios e por isso eternos.
somos o que não fomos preparados para ser:
humanos demasiado humanos.
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