domingo, 10 de junho de 2012

vazio

a palavra não fala
nada expressa.
vivo num exercício
fútil de expressar o indizível:
silêncio.

acordo e olho teu rosto.
sem palavras.
beijos, pernas, bundas:
sexo.
e nada mais.
silêncio.

acordei vazio.
sem sentimentos.
me deixei tomar pela pulsão do sexo.
sou animal.

mas ontem fui humano:
andei de mão dadas.
porque hoje fui animal?

não: não digas nada.
vazio indizível impera.

"vai cair.
o peito cai.
o pinto cai.
vai sair
que dia hai kai"

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