Tempo passa.
Vejo meus companheiros, com caminhos definidos:
os momentos vividos juntos nos fizeram barbudos.
Me orgulho disso.
Somos honrados porque acreditamos no que defendemos
independente desse mainstream alienante.
Temos uma certeza em comum: a mudança é necessária.
Disso não abrimos mão.
Sabemos que por sermos diferentes
num mundo onde todos estão conformados
precisamos gritar.
Precisam nos escutar.
Agora, que estamos prestes a nos separar
Percebo o tempo que passou.
O que fui, sou, o que serei.
Vai ficar uma lacuna.
Não por falta, mas pelo que passa.
Porém, também vai ficar um cheio
de orgulho, de honra.
São marcas n’alma.
Observando a passagem do tempo
estranho-me.
Muitas personalidades em um corpo.
E uma necessidade moderna
de explicar tudo.
Vivi me perguntando quem sou
sem viver.
Vaguei num mar de hipóteses.
Nunca encontrei resposta definitiva
e continuei obcecado por ela.
Mesmo a não resposta é uma resposta.
Vivi preso a uma necessidade.
Hoje ela se desfaz: “
Tudo que é sólido se desmancha no ar”.
Aceito minha condição humana: estou entregue ao acaso.
Hoje graças à proximidade de um fim
percebo: Sou o que fui.
Me significo a cada palavra
A cada instante vivido.
Eu sou e não sou.
Eu não sou e sou.
Paradoxo Ambulante.
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